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Fraternidade Espírita Clara de Assis
Preciso de acolhimento
Estudo 31 de agosto de 2026

O ESPÍRITA DIANTE DAS ELEIÇÕES

O ESPÍRITA DIANTE DAS ELEIÇÕES

O ESPÍRITA DIANTE DAS ELEIÇÕES: consciência, fraternidade e responsabilidade em tempos de polarização

Em períodos eleitorais, as diferenças políticas tornam-se mais evidentes e, muitas vezes, ultrapassam o campo saudável do debate de ideias. Divergências transformam-se em conflitos pessoais, amizades são abaladas, famílias se dividem e as redes sociais passam a reproduzir agressividade, intolerância e julgamentos precipitados.

A Doutrina Espírita não estabelece preferência por partidos, candidatos ou ideologias. Entretanto, oferece princípios claros para orientar a consciência do cidadão. Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec aborda as leis de sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor e caridade, demonstrando que a vida moral não se separa da responsabilidade do homem perante a coletividade (KARDEC, 2013a, questões 766-775, 803-816 e 873-879).

Ser espírita, portanto, não significa ser indiferente às questões públicas. O espírita pode ter convicções políticas, discutir propostas, participar do processo democrático e escolher livremente seus representantes. O que deve evitar é transformar sua preferência política em verdade absoluta ou em critério para julgar moralmente as outras pessoas.

O adversário político continua sendo nosso próximo

A moral cristã, fundamento ético da Doutrina Espírita, encontra sua expressão essencial no Novo Testamento. Ao ser interrogado sobre o maior mandamento, Jesus respondeu:

          “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração […] e ao teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:37-39)

O ensinamento não estabelece qualquer condição política, social ou ideológica para que alguém seja considerado nosso próximo. O espírita deve respeitar aquele que simplesmente pensa e vota diferente.

A pessoa que possui outra visão política continua sendo nosso familiar, amigo, colega e, acima de tudo, irmão em humanidade. Podemos discordar profundamente de suas ideias sem convertê-la em objeto de desprezo, sem alimentar relações de ódio e revolta. A divergência não elimina a fraternidade.

Esse princípio também se encontra em O Evangelho segundo o Espiritismo, quando Kardec destaca que toda a moral de Jesus se resume na caridade em oposição ao egoísmo e ao orgulho (KARDEC, 2013b, cap. XV).

A caridade também se manifesta no debate político.

A caridade espírita não se limita à assistência material. A codificação ensina que existe caridade nos pensamentos, nas palavras e nas ações. A indulgência diante das imperfeições alheias, o cuidado com as palavras ditas e a disposição sincera de auxiliar também constituem formas de caridade (KARDEC, 1862).

Esse princípio merece especial atenção nas redes sociais. Antes de compartilhar uma informação política, seria prudente perguntar:

É verdadeira? A fonte é confiável? Estou esclarecendo ou apenas alimentando indignação? Estou discordando de uma ideia ou humilhando uma pessoa? Utilizaria as mesmas palavras se o interlocutor estivesse diante de mim?

A Epístola de Tiago oferece advertência especialmente atual:

          “Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tiago 1:19)

E Paulo recomenda:

          “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação.” (Efésios 4:29)

Não se trata de impedir a discussão política. A questão não é apenas o que defendemos, mas também como tratamos as pessoas enquanto defendemos nossas convicções.

A Casa Espírita e a política partidária

É necessário distinguir a atuação do espírita como cidadão da atuação da instituição espírita. Individualmente, cada pessoa possui liberdade para exercer seus direitos políticos e ter suas convicções. A Casa Espírita, entretanto, possui finalidade doutrinária, moral e fraterna e não é partidária.

A Federação Espírita Brasileira recomenda que os Centros Espíritas se abstenham de atividades político-partidárias, evitando transformar tribunas, reuniões e estruturas institucionais em espaços de propaganda eleitoral (FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA, 2007).

Essa orientação harmoniza-se com o Estatuto da Fraternidade Espírita Clara de Assis, que estabelece como finalidade institucional o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo, com base nas obras de Allan Kardec, e a prática da caridade espiritual, moral e material. A Casa Espírita pode estudar justiça, ética, cidadania, desigualdade, responsabilidade, paz e solidariedade. Pode formar consciências. O que não deve fazer é transformar consciência doutrinária em orientação de voto.

As provas

O período eleitoral testa não apenas nossas convicções, mas também nosso equilíbrio. É relativamente fácil apontar erros no grupo político do qual discordamos. A coerência moral exige o respeito diante da discordância. Paulo resume esse princípio de forma admirável:

           “Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Quando a eleição terminar

Eleições passam.

Mandatos terminam.

Partidos mudam.

Novos candidatos surgem.

Mas as consequências de nossas palavras e atitudes permanecem.

Jesus ensinou:

           “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9)

Em uma sociedade marcada pela polarização, ser pacificador não significa permanecer neutro diante do erro nem abandonar convicções. Significa impedir que a divergência se converta em ódio.

Talvez essa seja uma das contribuições mais importantes que o espírita possa oferecer durante as eleições: demonstrar que é possível possuir convicções sem intolerância, firmeza sem agressividade, consciência política sem fanatismo e divergência sem perda da fraternidade.

Podemos escolher candidatos diferentes e continuar irmãos.

Podemos discordar quanto aos caminhos e permanecer unidos no propósito do bem.

Diante da urna, cada consciência realizará sua escolha.

Diante do próximo, porém, permanece o ensinamento de Jesus:

          “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles.” (Mateus 7:12)

E saibamos que, quando tudo acabar, seremos reconhecidos como discípulos do Cristo por muito nos amarmos:

          "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13:34,35)

Com carinho, externamos o convite, assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=XmJg9p-Z878, nos encontre nas redes sociais e deixe seu comentário.

Referências

BÍBLIA. Novo Testamento. Evangelho segundo Mateus, especialmente 5:9, 5:37, 5:44, 7:12, 7:16 e 22:37-39; Evangelho segundo João, 13:34,35; Epístola aos Efésios 4:25 e 4:29; Epístola de Tiago 1:19; Primeira Epístola aos Tessalonicenses 5:21.

FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. Orientação ao Centro Espírita. Brasília: FEB, 2007.

FRATERNIDADE ESPÍRITA CLARA DE ASSIS. Estatuto da Fraternidade Espírita Clara de Assis. Belo Horizonte, 2026.

FRATERNIDADE ESPÍRITA CLARA DE ASSIS. Regimento Interno. Belo Horizonte, 2025.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013a.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013b.

KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. Discursos pronunciados nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux. Paris, 1862.

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. Paris, 1864.

Texto produzido com a ajuda de inteligência artificial.