O DIA DE FINADOS
"Nosso corpo é apenas uma prisão temporária e a morte é uma libertação. A sabedoria consiste, pois, em sempre subordinar a matéria ao Espírito, porque ela não é mais que uma aparência e o Espírito, a única realidade viva e imortal." (Léon Denis - O Mundo Invisível e a Guerra). Para Léon Denis, filósofo e um dos principais continuadores da Doutrina Espírita, o significado do Dia de Finados vai muito além do luto tradicional: representa a celebração da imortalidade da alma e a continuidade do amor através da prece sincera, desmistificando o cemitério como a morada dos que já partiram. O dia dos finados existe há muitos séculos, em respeito aos entes queridos que se encontram desencarnados. Léon Denis lembra que a tradição de separar um dia específico para lembrar os mortos não nasceu com o Catolicismo, mas sim com os Druidas, antigo povo Celta que habitou a região da atual França e que, no dia 1º de novembro, se reuniam em seus nos lares, e não em cemitérios, com o objetivo de evocar e homenagear os parentes que já haviam partido, pois tinham plena convicção de que a vida continuava após a morte do corpo físico. O dia 02 de novembro passou a ser declarado feriado para a Igreja Católica somente no século XIII. A data foi mudada pela Igreja para 02 de novembro, pois dia 01 de novembro, para o Catolicismo, é celebrada a festa de todos os santos. Hoje em dia é muito comum entes queridos e familiares visitarem sepulturas e homenagearem aqueles que agora se encontram do outro lado da vida, o que faz com que a data se torne um dia de saudosas lembranças. Porém, como estudiosos da Doutrina Espírita, sabemos que o desencarne nada mais é do que o momento em que nosso Espírito se desprende do nosso corpo físico, trazendo, muitas vezes, alívio aos que deixam a sofrida vida terrena. Os Espíritos ao desencarnarem não permanecem em suas sepulturas, sendo ali apenas um local onde seus restos mortais foram depositados. Os Espíritos não habitam os túmulos. Eles comparecem aos cemitérios no Dia de Finados unicamente porque há uma maior concentração de pensamentos e afetos chamando por eles naquele local e data específica. Podem ir, também, ao nosso encontro, em qualquer lugar, em qualquer dia e hora, pois o que nos liga aos dois planos da vida é o pensamento, que é a forma pela qual nos conectamos com aqueles que não estão mais aqui. Reunindo as respostas que a Espiritualidade dá no item “Comemoração dos Mortos. Funerais”, capítulo VI, da Parte 2ª de “O Livro dos Espíritos”, nos leva a entender que um velório, memorial ou uma visita é de grande importância para nós encarnados, pois nos trazem alívio, conforto e bons sentimentos que nos impulsam a continuar a caminhada se o vínculo com o desencarnado ainda for muito forte. É algo mais essencial para nós do que para eles. Na questão 323 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec faz a seguinte pergunta aos Codificadores: “A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontram, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?” Ao que os Espíritos responderam: Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com coração”. Apesar de que não deveríamos ter apenas um dia para lembrarmos carinhosamente dos entes queridos que já retornaram à Pátria Espiritual, o dia dos finados, então, pode ser colocado como uma data que não nos deixa esquece-los. O Dia de Finados, é uma data que possuí simbologias materiais, mas também possuí uma simbologia de amor e respeito, uma vez que é o dia em que todos aqueles que passaram por nossas vidas são lembrados e homenageados com todo nosso amor e com o nosso mais puro sentimento de saudade. Lembrar de quem partiu com carinho e transformar a saudade em oração gera vibrações de amor que ajudam o Espírito a se desligar dos laços terrenos e a encontrar paz. Lembremo-nos de que a vida não cessa com a morte física, pois o ciclo é vida após vida, renovação após renovação. Não nos sintamos, portanto, injustiçados por termos sido separados do ente querido, pois existem razões que talvez nós não vamos compreender neste momento, mas que um dia compreenderemos. Dessa forma, transforme a saudade em mais trabalho de amor e distribua aos irmãos que você sabe estarem necessitados. Deixemos, então, que nossos entes queridos sigam em paz e fiquemos também em paz, seguindo cada um rumo à sua auto evolução, cada qual em um dos planos da vida, fazendo então de suas boas ações um ato de amor ao próximo.